testando o preconceito

19 de julho de 2013

Por Guy Franco

O estudante Gustavo Lima Jardim Nakamura se vestiu de índio para testar o preconceito na USP. Há mais de um mês ele assiste às aulas nas dependências da FAU usando um short adidas. “Decidi assistir às aulas usando short adidas para desafiar o preconceito contra os índios. Uso short adidas como um ato político.”

No primeiro dia vestido como índio, Gustavo Lima conta que um aluno o agrediu fisicamente com um salame que trazia no bolso, mas que no geral ele tem recebido apoio da turma, que faz um grande batuque nas carteiras toda vez que ele entra na classe.

Mas não é sempre assim. Ironicamente, a universidade, lugar onde as pessoas supostamente têm maior liberdade de expressão, ainda é cheia de preconceitos. Só no ano passado, segundo estimativa do Ebab, houve centenas reclamações envolvendo a roupa que os estudantes estavam usando. É o caso de Mariana Rezende, aluna do terceiro ano de Letras da Univitelinos.

Desde que entrou na universidade, Mariana Rezende se veste de mendiga para testar o preconceito dos outros alunos. Na noite da última segunda-feira, Mariana usava um moletom velho e encardido do Mickey. E também não parecia que havia tomado banho. “Estou acostumada a receber ofensas nos corredores”, conta, “as pessoas evitam se aproximar muito de mim”.

A vontade de se vestir como mendiga começou na infância: “Na verdade eu nunca quis me vestir como mendiga, cara”. Aos 12 anos ela já era esculachada e testava o preconceito das colegas de classe. “Eu nunca me vesti como mendiga. Será que você não entendeu? Esse é o meu estilo”, conta.

Mariana foi barrada em sua própria formatura quando procurava testar o preconceito dos alunos do ensino médio. Enquanto as meninas usavam vestido, Mariana apareceu dentro de uma roupa que parecia um saco de batatas. “Eu nunca quis testar o preconceito de ninguém. Quem está dizendo que eu me visto de mendiga são vocês”, afirma. “Será que podem parar agora?”, pergunta.

Na última quinta-feira, acompanhamos Mariana Rezende na faculdade. “Parem de me seguir, sério”, conta. Nos corredores ninguém a notava. Era como se ela não passasse de um papel amassado jogado no chão. “Não precisa me lembrar disso”, conta. “Agora é sério, parem de me seguir ou eu chamo a polícia”, conta.


Apesar de se vestir de mendiga, Mariana não é econômica, principalmente na hora de comprar as frituras na cantina da universidade. “Já deu. Vou chamar a polícia”, conta. Mariana pegou o celular com uma mão enquanto a outra estava ocupada segurando duas coxinhas. Quinze minutos depois a polícia chegou ao local e nossa equipe foi obrigada a entrar na viatura, sem motivo aparente. É inadmissível que policiais usem a força repressora do Estado dentro do campus.

4 comentários:

Hawk disse...

HAHAHAHA excelente! Melhor texto de todos os tempos da última semana.

FOXX disse...

kkkkkkkk
ótimo

Bruno disse...

huaeuhauehaehae texto surpreendente, curti pra caralho

vindi disse...

É o preconceito ainda é grande, rs

Curti,

Rodrigo

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