a homossexualidade no vestiário de futebol

5 de julho de 2010
por Guy Franco

Falam pouco sobre a homossexualidade nos esportes, principalmente no futebol. Mas há no futebol elementos mais fascinantes do que gols e tabelas detalhadas da Libertadores. Lucas Cielo, autor do livro
A Homossexualidade no Vestiário de Futebol, descreve a homossexualidade no vestiário do esporte mais praticado no país. Conhecido por livros polêmicos como Pedofilia na Era Vargas e Os Passivos Reclamam Demais, Lucas Cielo, em sua mais recente publicação, pretende quebrar o tabu (e sem uso de preservativo) por trás dos jogadores: “O livro surgiu da idéia de fazer um banheirão no vestiário do clube onde sou associado”, afirma Lucas Cielo, já excitado “conversando com um colega de mictório depois de uma pelada, pensei ‘por que não?’, foi bem gozado depois”, continua.

O livro trata, sem dó e com pegada, detalhes eróticos e semi-eróticos de tudo o que acontece antes, depois e mesmo no meio de uma partida, como no episódio em que o jogador de um time carioca (que teve a voz modificada eletronicamente para não ser reconhecido no livro) fez sexo oral no quarto árbitro, atrás do gol. O episódio ficou conhecido na época como O Oral Legal, mas poucos viram o que de fato aconteceu, afinal, entre eles, haviam anúncios publicitários e a rede do gol, o que dificultava a visão dos espectadores e de fotógrafos.

Mas é no vestiário masculino que o autor nos apresenta a homossexualidade entre os jogadores. É de praxe, por exemplo, depois de uma partida, que o artilheiro do jogo dê para todo mundo. O gang bang também é comum quando um jogador novo ou um técnico é contratado pelo clube. O ritual costuma acontecer nos vestiários, e todos os jogadores – reservas ou titulares – devem conhecer o novo membro da equipe através de penetração, pois acreditam que o entrosamento por trás seja mais profundo.

Para descobrir todos as curiosidade sobre a homossexualidade nos vestiários, Lucas Cielo teve de penetrar no mundo do futebol (e algumas vezes ser penetrado também). Em uma das passagens mais interessantes do livro, o autor relata a dificuldade de se meter em um clube de grande nome sem usar lubrificante. “Os clubes de grande nome são os piores para se meter, principalmente os paulistanos”, afirma “mas uma vez lá dentro, não se sente mais dor, é só prazer, e você também tem direito a um sanduíche de rúcula com tomate seco no meio da tarde”, conta, animado.

É evidente que a homossexualidade esteja presente em todos os esportes, mesmo aqueles praticados sobre cavalos. Seria muita hipocrisia fingir que isso não acontece também no futebol ou na amarelinha, esportes considerados machistas. A Homossexualidade no Vestiário de Futebol veio para desmistificar o assunto e gerar calorosas discussões entre os mais conservadores e os praticantes de yoga. Com uma linguagem fácil e recheado de ilustrações coloridas, o livro põe um ponto final – onde antes só havia um travessão – no tabu. Talvez seja apenas uma gota d’água em um oceano de preconceitos e de idéias retrógradas que teimam em não afundar, boiando como madeirite, mas é certamente um passo muito importante na luta contra a discriminação que homossexuais – e também coisas parecidas - sofrem antes de pensar em praticar algum esporte. O livro mostra que é possível sim, ser gay e esportista, não sendo exclusividade da ginástica olímpica ou da stock car.

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