o bandido

26 de maio de 2012

Por Guy Franco

Está fora de moda falar de bandido. Todo mundo já teve um celular roubado nesta vida, mas toda a indignação, hoje em dia, está voltada para o homofóbico, o misógino e o que chamam de fascista. É mais fácil encontrar quem escreva textos cheios de sociologia barata sobre sujeitos que fizeram uma piada infeliz ou outra na internet e na TV do que sobre o cara que ameaça a sua vida para levar o carro – e que não são poucos. Capaz ainda de dizerem, cuspindo na sua cara, que o ladrão era vítima do sistema, enquanto o humorista, bem, esse é um fascista.

Nasci no Brasil, e isto aqui está infestado de bandidos. Tenho a suspeita de que seja efeito do calor e o povo alegre. Repare: todo povo com fama de simpático e alegre é violento. Calor humano, de repente, é malandragem. A mesma intimidade com que acham que têm direito de te abraçar sem te conhecer, é a intimidade que usam para enfiar a mão na sua bolsa para lhe roubar a carteira. Quando uma certa distância entre indivíduos não é respeitada, as desgraças são iminentes. Está tudo amarrado.



10 motivos pelos quais uma mãe gosta de ter um filho gay

12 de maio de 2012
Por Alex Passos

1 – Mais assuntos em comum. Eles podem tanto falar de homem quanto comentar a novela juntos.

2 – Gays dificilmente vão largar uma criança para a mãe cuidar.

3 – Sem filho para cuidar, ele pode ter mais tempo e dinheiro para gastar com a mãe. Filho gay costuma ser boa companhia para fazer compras e sabe escolher os melhores presentes.

4 – Ele não vai mentir (nem sabe como) se a mãe estiver mal arrumada.

5 – E se ela estiver mal arrumada, ele vai saber como dar um jeito no cabelo, maquiagem ou o que estiver de errado com o visual dela.

6 – O bom de ter um filho gay é poder usá-lo para decorar a casa.

7 – Dificilmente o almoço de domingo da mãe vai ser menos importante do que o futebol.

8 – Parte da graça de ter um filho gay é que a mãe pode falar mal da roupa dos outros com ele.

9 – Ele sabe quem são os artistas e subcelebridades de que a mãe vive se esquecendo o nome.

10 – Nenhuma outra mulher vai ser mais importante na vida dele do que a mãe.

bullying

8 de maio de 2012

 Por Guy Franco 

Querem acabar com o bullying pelos motivos errados. E, pelos motivos errados, montam uma campanha contra o bullying que no final dá ainda mais vontade de praticá-lo. Quem nunca praticou nenhum bullyinzinho na vida que atire a primeira pedra naquela menina esquisita ali.

O maior problema do bullying é que gera adultos insuportáveis. O que é essa gente preocupada com a vida dos outros senão os ex-zoados da escola? Às vezes o trauma é tão grande que essas pessoas perdem o bom senso e começam a se meter onde não são chamadas, como por entre os pneus de gordura de crianças obesas ou a comida presa no aparelho de dente de meninas estranhas. Essas pessoas começam a ver em tudo quanto é gente a imagem daqueles que praticavam bullying com elas. Assim, ao ouvir uma piada supostamente preconceituosa de um humorista na televisão, elas voltam no tempo e revivem os mesmos insultos direcionados ao seu cabelo ou estatura ou tamanho dos seios. É sufocante. Vivem como se fossem o centro do universo, onde toda e qualquer piada fosse criada unicamente para atingi-las. Por isso, quando crescem, tendem a virar defensores do bem, recheando seus blogs, mal escritos e com fundo colorido, com polêmicas envolvendo propaganda de cerveja escura e questionando a ausência de gordos na novela das nove. Alguns, ainda mais traumatizados, chegam até a escrever cartas de repúdio a qualquer coisa que vão contra suas ideias equivocadas de justiça.

Devemos combater o bullying para impedir o aumento dessa gente preocupada com a nossa vida; com o que devemos assistir na televisão, com o que devemos ler e que clipe podemos ver. Quem sabe se as campanhas fossem voltadas para esse fim, teríamos um resultado melhor, porque do jeito que está, com gente tentando enxergar estímulo ao bullying até em revistinha da Turma da Mônica, a vontade que fica não é outra senão de praticá-lo com quem tem esse tipo de pensamento medíocre.

pena que é crime falar o que pensa

30 de abril de 2012
Por Guy Franco

Pena que é crime falar o que pensa, senão eu falaria.

Se um dia um disco voador pousar na Praça dos Três Poderes, ninguém vai reparar nada. Solução para os prédios de Niemeyer: Pinta tudo de verde limão que a gente vê o que quiser por cima. Chroma Key há de salvar Carapicuiba, Osasco e M’Boi Mirim também.

Uma frustração: não ser filho do Didi.

Afinal, de quantas pessoas precisamos para fazer a diferença?

Ainda bem que passou um pouco essa moda de comercial exigir alguma coisa da gente com uma pergunta no final. Eu uso desodorante do Carrefour, e você? A nossa empresa já usa o novo cartucho de impressoa HP Lovecraft, e a sua? Isso parece coisa de quem gosta de se meter na sua vida, coisa de Estado grande. O único que pode exigir alguma coisa de mim é meu editor; se ele existisse. Os outros você pode mandar para o inferno. Se reclamarem, diga que viu uma matéria na Veja recomendando agressões físicas. Se forem dos que usam sandália papete, diga que viu a matéria na Carta Capital.

o moralistinha

18 de abril de 2012
Por Guy Franco

O rapaz passou a vida inteira mandando abaixo-assinado pela PLC122, links sobre homofobia, direitos humanos etc. Um dia, reclama que um amigo fez um discurso moralista em cima dele. E aí todos os links que o rapaz me passou perderam todo o sentido para mim. Quer dizer que nada do que ele me falou até ali era moralista também? Então era o quê? Quem decide o que é moralista e o que não é? Teria Fernanda Lima e Cauby Peixoto concepções diferentes do que é o moralismo?

Não entendo o rapaz. Moralista, hoje, é usado como ofensa, e das feias. Chame de puto, demônio, afetado, pinto pequeno - nada vai ter o mesmo efeito do que chamar alguém de moralista. Se a PLC não é moralista, ela é o quê? Imoralista é que não é. O rapaz vivia falando de fazer justiça, de fazer o bem. Até então ele era o meu amigo mais moralista. Agora não passa de um avatar em frente ao espelho do banheiro, com o celular aparecendo no canto.

Tomas

10 de abril de 2012
Por Guy Franco

Tomas nasceu muito novo; aos cinco já tocava piano e mandava os outros pastar levantando apenas um dedo. Sempre foi meio disléxico, abandonava as coisas pela metade, mas ainda hoje toca Satie como ninguém. Deve todos os conhecimentos ao pai, um senhor aposentado que trocou o piano por um apartamento na Praia Grande, onde vive com suas samambaias. Com ele também conheceu a literatura russa, Frank Sinatra e técnicas para continuar o sonho da noite anterior.

Não demorou muito para Tomas perceber que não pertencia a nenhum grupo. Nunca se deu bem com os outros. Não que fosse tímido, mas evitava contato com gente, principalmente as mais animadas.

Começou a ler muito cedo e, por ter o hábito de ler livros, esperava diálogos interessantes das pessoas. Coisa que nunca encontrou. Cansado, pegava um caderno e criava os diálogos ele mesmo. Depois desistia; abandonava as coisas pela metade.

Na adolescência, os demônios o atormentavam com crescente insistência. Deu nome a eles – Diara, a que nunca se viu e Pietro, o que anuncia desgraças. Havia tempo que não se interessava por mais ninguém além de seus demônios e personagens fictícios. Cada vez mais mergulhava em pensamentos sombrios. Pensou até em virar jornalista. Foi Diara, a que nunca se viu, que o impediu de cometer a tragédia.

Tomas tem uma inteligência acima da média, fuma cachimbo, odeia calça jeans e não vai a eventos onde tem gente. É ateu, mas sempre teve uma queda pelo catolicismo e o judaísmo. E vira os olhos toda vez que é lembrado de que o Estado é laico. Ama o extraordinário. Democracia é uma palavra que lhe embrulha o estômago; ética e diversidade lhe dá alergia. E se começam a falar sobre mazelas sociais numa conversa de bar, deixa o dinheiro da cerveja que bebeu na mesa e sai do recinto, sem se despedir.

É um dos poucos gays por opção; acha mulher muito enrolada; nunca teve paciência de chegar até uma vagina.

E aqui, outras bios.


como eles sabiam?

1 de abril de 2012

o namoro continuado

28 de março de 2012
Por Tomas

Quando começa um namoro novo, espera do novo namorado as mesmas coisas que esperava do antigo. Leva o novo namorado para os mesmos lugares que ia com o antigo para ver como o novo namorado funciona lá. No mesmo restaurante onde ia com os antigos namorados, se não escolhe a mesma mesa de sempre, escolhe pelo menos uma mesa próxima, e puxa os mesmos assuntos que puxava com o antigo namorado. Pede o mesmo prato, o mesmo vinho e a mesma sobremesa. Recomenda o mesmo cheesecake, dizendo como o cheesecake daquele lugar é ótimo, do mesmo jeito que dizia para o antigo namorado. E a vista do restaurante? Maravilhosa, meu lindo, vem ver. Chama o novo namorado de meu lindo, ou de meu anjo, ou de meu amor, da mesma maneira que chamava o antigo namorado. Todos os namorados que teve, ele chamava pelo mesmo nome e fazendo a mesma vozinha.

Na volta do restaurante, no carro, ele põe uma música do novo álbum Madonna e, por um acaso, pergunta o que o novo namorado acha da música dela. Mas o novo namorado não gosta da nova música da Madonna. Na verdade, o novo namorado nem gosta dela. O outro acha esquisito, estranha, porque o antigo namorado, como todos os outros que vieram antes deste, sempre gostaram de Madonna. Esperava que ele gostasse também. Então o novo namorado diz que preferia as músicas dela dos anos 80, que eram mais divertidas. Mas gostar de verdade de Madonna, veja bem, ele não gostava não.

Ele espera do novo namorado as mesmas coisas que esperava dos antigos, como se os antigos namoros não tivessem terminado, como se todos os namoros fossem um único namoro prolongado, continuado. A única diferença era a aparência do novo namorado. E nem isso era lá muito diferente já que este também seguia um desses padrões produzidos em larga escala em academias.

sobre traumas, calçados e lésbicas fora do padrão

21 de março de 2012
Por Edgar Perné

Alex tem medo de insetos. Não pode ver um hamster na frente que já tem ataque e começa a babar pelas orelhas. Tentei explicar que aquilo era uma coisa mal resolvida na infância, provavelmente falta de atenção dos brinquedos. Segundo o livro Waltinho, Desce Daí!, tudo o que você faz na infância tem reflexo depois de adulto. Um garoto molestado pelo ensino construtivista, por exemplo, tem tudo para se tornar um adulto pervertido. Assim como bebês mergulhados em chocolate quente tendem a adquirir fobia de bigodes. Trabalhei com uma menina que se assustava toda vez que ouvia alguém mastigando doritos. Um dia, descobri que ela fora molestada por um busto de Villa Lobos no Teatro Municipal, quando era bem pequena.

Preciso comprar tênis novos. All Star, claro, já que é mais barato e vejo todo mundo na Augusta usando. Julgo as pessoas pelos calçados que elas usam. Quando é sandália de couro masculina não julgo, deixo que a natureza se encarregue da pessoa.

No fim de semana, eu e Alex fomos aprender a manejar arma de fogo com Júlia Marques. Ela participa da Federação Paulista de Tiro Esportivo e já ganhou várias medalhas. Difícil imaginar uma mulher tão linda e meiga praticando esse esporte. Júlia Marques foge tanto dos estereótipos que fica difícil saber de que maneira devemos interagir com ela. Nunca estive diante de uma lésbica que não gostasse de MPB. Não sei como lidar. Fico me mexendo muito, de modo falso, como faria um caixa da Renner diante de um andarilho.

será que ele é?

14 de março de 2012
Por Alex Passos

Será que é possível saber quem é gay só de olhar para a cara da pessoa? Será que existe um padrão no rosto que caracteriza um gay? Pessoalmente pode ser muito fácil de identificar um, mas e por foto, só observando os traços do rosto?

Elaborei um teste e vocês vão me dizer se é assim tão fácil quanto dizem de identificar um. Postei abaixo fotos de rosto de 18 homens: 9 gays e 9 heteros. Cada um tem um número. Respondam, nos comentários, usando os números, quem vocês acham que são gays e quais deles são heteros.

O resultado está aqui.






vitória gloriosa!

7 de março de 2012

homossexuais não são pobres coitados

1 de março de 2012
Por Guy Franco

Toda vez que alguém discursa sobre o direito de igualdade, logo penso: se buscam a igualdade, então provavelmente estão se sentindo por baixo. Ninguém que está bem se preocupa com igualdade. Isso é coisa de gente que está por baixo e quer subir. Bonito. Lutar por algo melhor é bonito. Não acredito que homossexuais estejam por baixo, mas ativismo, visto por alguns ângulos, me parece bonito. E eficiente até o momento em que um ou outro começa a se vitimizar demais, jogando a imagem de um homossexual lá para baixo como se todos fossem pobres coitados. A esses, peço que olhem para mim, nos olhos: homossexual não é nenhum pobre coitado e você sabe muito bem disso.

Bem, se um ativista ou algo parecido com isso quer ser respeitado, não é se fazendo de coitado que ele vai conseguir, muito pelo contrário, o coitadismo só evidencia a sua inferioridade; mostra o quanto você está por baixo, com cara de choro e fralda molhada.

Imagine uma menina vítima de bullying na escola. Sim, ela é toda esquisita e usa aparelho nos dentes; ideal para ser insultada pelos colegas mais estúpidos. Quanto mais uma menina dessas se fizer de coitada, mais bolinhas de papel e chiclete ela vai levar na cabeça e insetos continuarão a ser enfiados em suas narinas. Isso é tão óbvio quanto é verde um pão de forma esquecido há meses no fundo de um armário. Uma menina bobinha ou um garoto meio débil mental e rechonchudo vão ser sempre vítimas de insultos e agressões se eles estiverem por baixo e não souberem como se defender. Infelizmente é assim. E mesmo quando eles contarem para a professora que foram vítimas de rodeio de gordas, ou sabe-se lá que tipo de agressão as crianças estão sofrendo hoje em dia, elas continuarão a ser insultadas. Aliás, é no momento em que elas se levantam da carteira para contar à professora sobre a malcriação que os outros aprontaram com elas que sua inferioridade vai aparecer escrita na testa; e se elas chorarem, é aí que estarão fazendo papel de coitadas, mesmo se o choro for legítimo.

Ativistas sofridos são como essas garotas bobinhas que, em vez de mostrar que podem ser melhores do que aqueles que as insultam, levantam da carteira para chorar no ombro da professora. Como não existe ombro da professora para chorar quando você é um barbudo ativista, acreditam que o colo duro e gelado do Estado serve para se confortar. Ah, claro, o Estado agora é a sua mãe, né? Tudo bem, tudo bem, o Estado tem que punir vagabundo que agride homossexual mesmo; da mesma maneira que tem que punir vagabundo que agride gordas, anões, hobbits e mendigos alados, mas depender do Estado para resolver esse problema é como pedir para a sua mãe conversar com o coleguinha que enfiou uma tênia na sua lancheira. Isso pode até dar certo na hora, mas por trás estarão te chamando de “filhinho da mamãe”. E a relação de inferioridade só vai aumentar. A imagem do homossexual vai continuar por baixo, como pobre coitado que não sabe se defender sozinho.

Não é por coitadismo que se ganha respeito ou dignidade ou qualquer coisa parecida, mas pondo-se acima dessas pessoas. O que está faltando a muitos desses ativistas cheios de boas intenções (a transbordar de boas intenções), é conseguir mostrar que eles podem ser melhores. Sobressair mais e requerer menos. Conquistar, não pedir.

A campanha contra a homofobia é maior do que a campanha para um gay sair do armário. As duas têm o seu valor, mas uma atrapalha a outra. Se tudo o que sabem fazer é falar de violência contra os homossexuais, estes preferem ficar dentro do armário, protegidos, no escuro. A propaganda do que tem de pior em ser gay é maior do que o que tem de melhor. Como você acha que a sociedade recebe uma campanha em que ser gay é mostrado como a pior coisa do mundo? Está na hora de decidir: preferem mostrar que gays vivem apanhando e que precisam de proteção ou incentivar a turma a sair do armário e viver um pouquinho como gente?

Ativistas sofridos parecem concordar com os homofóbicos em um ponto: gays são pobres coitados. Os dois, pelo menos, contribuem para criar essa imagem. Não digo todos os ativistas, mas os coitados, os que perdem todo o tempo que têm tentando mostrar como sofrem. Parece que preferem mostrar que são vítimas, não pessoas. Repare como a imagem que fica depois dessas campanhas nunca é a de um ser humano, mas de uma massa de carne ensanguentada e sem expressão.

É só isso que eu queria falar. Podem voltar a fazer o que estavam fazendo antes.

globo vs capcom

29 de fevereiro de 2012
Por Guy Franco

Ouvi no metrô, linha verde, noite: “tenho aversão às mulheres”. Se não fosse a voz de frango, acreditaria tratar-se de misoginia, e das fedidas. Fora de contexto, todo gay é misógino. Se tem alguém que vive admitindo aversão às mulheres, são os gays. Mas aí seria misoginia dele ou homofobia minha chamando-o de misóginio? Questão para um Enem.

E quem venceria na disputa homofobia vs misoginia? O que é pior?

Eu tenho mania de pensar nessas disputas enquanto escovo os dentes. Vivo jogando gente em ringues imaginários. Meu sonho é trabalhar com videogame e criar o Globo vs Capcom, com time de Zorra Total contra time de Street Fighter. Pedro Bial vs M.Bison; Fátima Bernardes vs Chun-li; Louro José vs Megaman; Bruno de Luca vs Chris Redfield. Penso até em golpes, combos e especiais. Desenvolvi mentalmente uma sequência de 54 hits com o Faustão. Ele usa o microfone, a cartelinha do programa, barrigada, enquanto o adversário vai tropeçando e indo de cara em bolos com velas, como nas videocassetadas. Ô loko, bicho – ele diz quando ganha a batalha. Esse aí é fera – quando o oponente volta no segundo round.

Meu talento está sendo desperdiçado. Japoneses e judeus precisam me descobrir.

o barbudo sensível

17 de fevereiro de 2012

Por Guy Franco


Barbudos sensíveis são gente fofa, peludinha, geralmente domesticada na universidade. Lembram ursinhos carinhosos, tanto pela bondade, que exala dos poros, quanto pela camada de pelos. A barba é um disfarce social para esconder impurezas visíveis a olho nu.

Os barbudos sensíveis são calorosos, abraçam, riem, mas com uma melancolia safada, sofridinha. A impressão que fica é de que seus corações sofrem, que qualquer coisa os fazem chorar.

Amam a humanidade. Detestam as injustiças. Combatem o mal; ou o que eles entendem por mal, porque bem e mal não existem, eles dizem. O que define um barbudo sensível é menos a barba e mais o desejo por justiça. Detestam o Datena, mas são iguais a ele na hora de repassar links sobre as injustiças do mundo; indignados e revoltadinhos. Acreditam em responsabilidade social. Vivem pensando nos outros, ficam preocupados com a vida dos outros, querem se meter na vida dos outros. Escondem no bolso planos amassados para um mundo melhor e o plano deles é sempre o melhor do mundo. São contra a intolerância, e ai de você discordar de alguma opinião deles.

São lentos - lentos não, moles, molengas. São tão homens quanto um pudim. A versão feminina não tem barba, preferem o vestidinho. Quando fazem cinema são melancólicos; na poesia só sabem chorar; na vida sofreram bullying. São anos de bullying para se tornar um barbudo sensível digno de respeito. E se querem salvar o mundo, pode ter certeza, é porque querem se salvar dele. Não confundir isso com altruísmo.

Da série Monstros da Sociedade.

Apêndice do post.

casamento igualitário

14 de fevereiro de 2012

o beijo gay na novela

7 de fevereiro de 2012
Por Guy Franco

Há muito tempo deixaram de pedir o beijo gay em novela e passaram a exigi-lo. Sob ameaças e protestos, a Globo faz que não ouve e prefere tomar uma água com gás. Um dia o beijo gay foi um bichinho inofensivo esperando a maioridade para poder aparecer em público. Hoje virou esse monstro de cativeiro. Enjaulado, ele não tem muito o que fazer senão comer e dormir - e por isso engorda tanto. O beijo gay sofre de obesidade mórbida. E no dia em que a Globo o liberar, o mundo vai ficar horrorizado com sua aparência. Até podemos nos mobilizar para tirá-lo de lá, mas antes precisamos cuidar melhor do bicho parando de jogar tanta porcaria na jaula para fazê-lo crescer desse jeito. O beijo gay já está irreconhecível.

Edgar Perné

3 de fevereiro de 2012
Por Guy Franco

Dizem que a nossa infância é sempre melhor do que a infância dos outros. Mentira. Edgar prefere nem se lembrar dessa época. Quem despreza a infância ganha traços visíveis no rosto depois de adulto. Acontece alguma coisa ao redor dos olhos e em cima do nariz. Difícil de explicar assim sem mostrar sequência de imagens no Power Point.

Edgar é desses. A pista mais próxima de que foi uma criança infeliz estão nas roupas que usa, nas bandas que ouve e nos filmes que vê; gosta de tudo muito antes de virar modinha. Chamam isso de alternativo, indie, às vezes até de hipster. Edgar não gosta dos rótulos. Explica que para ser alternativo precisa sofrer muitos anos de bullying quando criança. De repente é por isso que Edgar não fala da infância, vai saber.

O cabelo castanho claro, nem liso nem ondulado, a barba por fazer, o nariz que chama atenção e a altura de um avestruz decepado na jugular, Edgar é um cara bonito e não tem a voz chorosa da sua geração. E por incrível que pareça só tem uma peça de roupa xadrez no armário, uma camisa que usa quando não quer ser reconhecido na rua Augusta.

Prefere não se definir politicamente, mas acredita em responsabilidade social; só não sabe o nome que dão a isso. Mas não é de se indignar com tudo e dificilmente se dói pelos outros. Ele é o alternativo no meio alternativo.

Namora Alex desde 2008. E vivem brigando. São tão diferentes que parece terem sido feitos com séculos de distância. Mas alguma coisa os mantém juntos por todo esse tempo. Ele não sabe bem o que é e tem preguiça de jogar no Google para tentar descobrir. Edgar não tem saco para assuntos mundanos.

14 projetos de lei que poucos comentam

31 de janeiro de 2012
Por Alex Passos

PLC 124b – Projeto Sailor Moon. Crimes contra cosplays de anime serão punidos em nome da lua.

PLC 398 – Criminaliza o uso da língua portuguesa por priorizar o gênero masculino. O projeto de lei visa criar a língua portuguesi, que faz cair o gênero masculino e feminino.

PLC 399 – Criação do gênero travesti na língua portuguesa, com artigo “i”. Ex: I travesti foi ao centro comprar umi peruca loiri. Projeto de lei contra a transfobia.

PLC 510 – Projeto de lei pela padronização de risadas na internet. Mulheres riem hahaha. Homens riem hohoho. Travestis riem hihihi. E hehehe todos podem usar.

PLC 511 – Criminaliza a risada KKK por fazer apologia racista.

PLC 189a – Projeto de lei Foucault Só Lá Fora. Criminaliza citações de Foucault em ambientes fechados.

PLC 404 – Error, Projeto de lei não encontrado.

PLC 192b – Projeto de lei Minoria é Maioria, pela criação de mais minorias desfavorecidas para que assim todos possam sentir-se incluídos em alguma minoria.

PLC 193b – Projeto de lei Coxinha Aplicada a Deleuze. Visa o recorte da pluralidade culinária de botecos imundos para estimular a voz do frango na fritura deleuziana, alternando vozes poéticas e pessoais, mergulhando de vez no ponto de vista do salgado e seu corpo.

PLC 804 – Projeto de lei Bebê Não É Bola que proíbe chutar bebês em vias públicas.

PLC 124 – Projeto de lei Sucrilho Homoafetivo em que toda embalagem de sucrilho deverá vir com uma mensagem contra a homofobia como “somos todos iguais” ou “homofobia já era” ou qualquer coisa parecida.

PLC 690 – Projeto de lei Vegan Contraditório, pela criminalização de vegans a favor do aborto.

PLC 566 – Projeto de lei que criminaliza a combinação de frango com catupiry em todo território nacional.

PLC 720 - Projeto de lei para criar assento reservado em transporte público para quem estiver lendo um livro.


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