Por Guy Franco

Toda vez que alguém discursa sobre o direito de igualdade, logo penso: se buscam a igualdade, então provavelmente estão se sentindo por baixo. Ninguém que está bem se preocupa com igualdade. Isso é coisa de gente que está por baixo e quer subir. Bonito. Lutar por algo melhor é bonito. Não acredito que homossexuais estejam por baixo, mas ativismo, visto por alguns ângulos, me parece bonito. E eficiente até o momento em que um ou outro começa a se vitimizar demais, jogando a imagem de um homossexual lá para baixo como se todos fossem pobres coitados. A esses, peço que olhem para mim, nos olhos: homossexual não é nenhum pobre coitado e você sabe muito bem disso.
Bem, se um ativista ou algo parecido com isso quer ser respeitado, não é se fazendo de coitado que ele vai conseguir, muito pelo contrário, o coitadismo só evidencia a sua inferioridade; mostra o quanto você está por baixo, com cara de choro e fralda molhada.
Imagine uma menina vítima de bullying na escola. Sim, ela é toda esquisita e usa aparelho nos dentes; ideal para ser insultada pelos colegas mais estúpidos. Quanto mais uma menina dessas se fizer de coitada, mais bolinhas de papel e chiclete ela vai levar na cabeça e insetos continuarão a ser enfiados em suas narinas. Isso é tão óbvio quanto é verde um pão de forma esquecido há meses no fundo de um armário. Uma menina bobinha ou um garoto meio débil mental e rechonchudo vão ser sempre vítimas de insultos e agressões se eles estiverem por baixo e não souberem como se defender. Infelizmente é assim. E mesmo quando eles contarem para a professora que foram vítimas de rodeio de gordas, ou sabe-se lá que tipo de agressão as crianças estão sofrendo hoje em dia, elas continuarão a ser insultadas. Aliás, é no momento em que elas se levantam da carteira para contar à professora sobre a malcriação que os outros aprontaram com elas que sua inferioridade vai aparecer escrita na testa; e se elas chorarem, é aí que estarão fazendo papel de coitadas, mesmo se o choro for legítimo.
Ativistas sofridos são como essas garotas bobinhas que, em vez de mostrar que podem ser melhores do que aqueles que as insultam, levantam da carteira para chorar no ombro da professora. Como não existe ombro da professora para chorar quando você é um barbudo ativista, acreditam que o colo duro e gelado do Estado serve para se confortar. Ah, claro, o Estado agora é a sua mãe, né? Tudo bem, tudo bem, o Estado tem que punir vagabundo que agride homossexual mesmo; da mesma maneira que tem que punir vagabundo que agride gordas, anões, hobbits e mendigos alados, mas depender do Estado para resolver esse problema é como pedir para a sua mãe conversar com o coleguinha que enfiou uma tênia na sua lancheira. Isso pode até dar certo na hora, mas por trás estarão te chamando de “filhinho da mamãe”. E a relação de inferioridade só vai aumentar. A imagem do homossexual vai continuar por baixo, como pobre coitado que não sabe se defender sozinho.
Não é por coitadismo que se ganha respeito ou dignidade ou qualquer coisa parecida, mas pondo-se acima dessas pessoas. O que está faltando a muitos desses ativistas cheios de boas intenções (a transbordar de boas intenções), é conseguir mostrar que eles podem ser melhores. Sobressair mais e requerer menos. Conquistar, não pedir.
A campanha contra a homofobia é maior do que a campanha para um gay sair do armário. As duas têm o seu valor, mas uma atrapalha a outra. Se tudo o que sabem fazer é falar de violência contra os homossexuais, estes preferem ficar dentro do armário, protegidos, no escuro. A propaganda do que tem de pior em ser gay é maior do que o que tem de melhor. Como você acha que a sociedade recebe uma campanha em que ser gay é mostrado como a pior coisa do mundo? Está na hora de decidir: preferem mostrar que gays vivem apanhando e que precisam de proteção ou incentivar a turma a sair do armário e viver um pouquinho como gente?
Ativistas sofridos parecem concordar com os homofóbicos em um ponto: gays são pobres coitados. Os dois, pelo menos, contribuem para criar essa imagem. Não digo todos os ativistas, mas os coitados, os que perdem todo o tempo que têm tentando mostrar como sofrem. Parece que preferem mostrar que são vítimas, não pessoas. Repare como a imagem que fica depois dessas campanhas nunca é a de um ser humano, mas de uma massa de carne ensanguentada e sem expressão.
É só isso que eu queria falar. Podem voltar a fazer o que estavam fazendo antes.